
O século XX chega ao fim com uma nova revolução industrial em andamento. Seus elementos-chave são a microeletrônica, a robótica e a microbiologia, os três atravessados pela revolução que a microeletrônica produz na informáica (ciência do tratamento e comunicação das informações).
A grande diferença da terceira revolução em relação às duas anteriores reside no fato de ela não se relacionar com o sugimento de um novo ramo industrial.
É que não se trata de uma revolução que ocorre primeiro no campo da indústria para depois, por irradiação, ir-se propagando pelos demais setores econômicos da sociedade, até revolucionar seu modo de vida como um todo, como foi a característica das duas revoluções anteriores. Antes de tudo, ela é uma revolução que ocorre no campo do pensamento e não tanto no dos objetos. Surge primeiro no mundo da pesquisa tecnocientífica (o chamado setor quaternário) para daí, então, implantar-se generalizadamente nos demais setores do sistema econômico e da vida social.
Por isso, desta vez a revolução industrial não vem acomanhada do surgimento de novas fontes e formas de energia. Antes, reforça-se o papel da eletricidade; a energia atômica, no geral apresentada como sendo a energia da Terceira Revolução Industrial, é na verdade apenas uma modalidade na geração de energia elétrica. Mas traz consigo a infovia (a rede de informações do tipo internet).
O caráter de uma revolução industrial, no entanto, se mantém, uma vez que, assim como nas revoluções anteriores, o significado dela é o da criação de uma nova cultura técnica, com o objetivo de mudar no seu todo o padrão do modo de vida vigente.
Sua presença é radical no campo dos processamentos produtivos e nas formas de comunicação. E é nesse terreno que mais nos aproximamos de uma conceituação do que seja a Terceira Revolução Industrial. Ela é fundamentalmente, uma revolução informática.
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Processar a informação tornou-se assim um expediante tão simples e rápido, que a velocidade das circulações aumentou enormemente. O efeito imediato foi o processo de globalização do mundo (isto é, a unificação do mundo num só, do ponto de vista econômico, científico e cultural).
Esse casamento da microeletrônica com o computador resultou na robótica, outra revolução na técnica. Aqui, o campo é o da automação industrial. reunindo a um só tempo as propriedades do homem e as do computador. O robô computadorizado simplifica as tarefas e substitui o homem na fábrica, nas lojas, nos bancos, nos supermercados e nos lares concretizando o projeto de transferir a automação do trabalho industrial para o plano do cotidiano da sociedade moderna. Assim como no caso do computador, é pela janela do cotidiano que o robô entra para fazer parte do nosso modo de vida.
No entanto foi a microbiologia a chave da cultura técnica encarnada pela Terceira Revolução Industrial, pelo efeito que tem de uma iniciação de nova cosmologia.
Também, aqui, o passado é revolucionado pelo advento da microeletrônica através do casamento da biotecnologia com o computador. Durante muito tempo, biotecnologia foi uma prática de emprego de microorganismos para acelerar reações orgânicas em fabricos industriais como o da manteiga, do queijo e do vinho.
O conhecimento das propriedades do código genético e do seu uso industrial, propiciado pelo uso do computador, deu origem à engenharia genética, nascendo a moderna biotecnologia.
Funcionando à semelhança de como nosso organismo processa as suas informações genéticas, o mecanismo do computador, um sistema que opera com grandes volumes de informação a grandes velocidades, como vimos, é capaz de reproduzir e reprogramar os circuitos genéticos.
O resultado é a manipulação engenharial do DNA recombinante. Uma técnica que consiste em cruzar propriedades dos códigos genéticos de espécies vivas diferentes para gerar novas sínteses orgânicas, criando novos produtos no campo farmacêutico ou novas maneiras de a medicina intervir nos organismos vivos para corrigir-lhes eventuais erros de formação genética.
Fonte: MOREIRA, Ruy. A ténica, o homem e a terceira revolução industrial. In: KUPSTAS, Márcia (Org.). Ciência e tecnologia em debate. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2003. (Debate na escola).p.43-48.
VISÃO GEOGRÁFICA
Cuiabá/MT
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